3 - Chuva

Entramos depois de alguns minutos de brincadeiras com as ovelhas.
-Bruno, acorde bem cedo amanhã, precisamos construir um ovelheiro pra elas... - gritou Andersson... realmente ele adora inventar palavras...
-Tudo bem Andersson, mais se chover, nada disso.
-Bruno, você sabe que irá chover... não para de chover aqui em Cisma!
-Que triste então Andersson, acho que você vai ter que construí-lo sozinho. - fui para meu quarto dando risada.
Fechei a porta e ouvi.
-Bruno! Amanhã eu vou te acordar e se você não levantar eu te arranco da cama! - gritava Andersson como ou louco, provavelmente ele estava vermelho e gesticulando com as mãos.
Senti meu corpo pesado novamente. Andei até a cama e cai do jeito que estava, simplesmente consegui ver tudo rodando e ficar escuro...
...
Senti meus pés caírem para fora da cama, abri meus olhos correndo e me agarrei na cabeceira da cama.
-Acorde Bruno! Vamos construir o ovelheiro! - gritava Andersson em meu ouvido.
-Tá, mais cinco minutos... - disse voltando a cabeça para o travesseiro.
-Nada disso garoto! Célia está esperando por você lá fora... coitada ela vai ficar tão triste ao saber que não vamos construir o ovelheiro hoje... - falava Andersson melancolicamente.
Célia me esperava? Seria uma tortura ver ela triste... ou seria um truque de Andersson?
-De todo modo já estou acordado Andersson, vamos construir esse tal ovelheiro... - disse enquanto me levantava da cama e saia pela porta.
Quando cheguei na varanda lá estava ela, realmente me esperava para construir o ovelheiro. Mas não vi tanta ansiedade para me ver...
-Bruno vamos lá pegue algumas madeiras que eu comprei atrás da casa e traga para cá...
Andei em volta da casa e vi uma pilha de madeira, peguei todas com os braços e levei até lá. No caminho da volta senti uma coisa cair em meu nariz... sim, uma gota de água, assim percebi que não chovia, por pouco tempo.
Dei todas as madeiras para Andersson que com um martelo e pregos começou a montar o tal ovelheiro.
A chuva começou calma e em segundos piorou.
-Célia, vamos entre... - falei preocupado, Célia não podia ficar doente!
-Não eu quero ajudar...
-Entre Célia, Bruno está certo, deixe connosco tudo bem? - disse Andersson me apoiando enquanto dava a primeira martelada.
-Tudo bem então... - disse Célia desanimada, caminhou até a varanda e se virou para mim. Com um gesto me chamou até lá.
-S-sim C-célia... - sussurrei.
-Bruno, quando terminar você me avisa? - perguntou em meu ouvido.
-C-claro C-célia, eu te a-aviso!
-Obrigada lindo... - falou enquanto senti receber um beijo carinhoso na bochecha.
Célia entrou, com o seu vestido azulado deixando mostras as pernas fartas e...
-Aii! Bruno venha me ajudar garoto! acabei de martelar o dedo!!! - gritava Andersson.
Sim, ele sempre atrapalha meus pensamentos!